Princípios de Neuro-oncologia
Os tumores que acometem o Sistema Nervoso Central (SNC) correspondem a um grupo altamente heterogêneo de diferentes entidades patológicas que têm origem em diferentes estruturas dos sistemas nervosos central e periférico e que acometem pacientes em diferentes faixas etárias.

Estima-se que a incidência de tumores cerebrais nos Estados Unidos seja de 7 a 19 casos por 100.000 habitantes, sendo que mais de 100.000 pacientes naquele país vão à óbito portando metástases cerebrais. Acredita-se que a incidência nos demais países, incluindo Brasil, seja semelhante.

O tratamento da maioria dos tumores que acometem o SNC é cirúrgico, sendo este procedimento curativo para os tumores benignos e paliativo para os malignos. Neste último grupo, quimioterapia, radioterapia e/ou radiocirurgia são indicadas em bases individuais. Devido à complexidade clínica destes pacientes, nos quais um mesmo sintoma neurológico pode ser indicativo tanto de crescimento tumoral, necrose tumoral por radioterapia, edema, síndrome paraneoplásica ou efeitos adversos à terapia adjuvante, o manejo deve sempre ser multidisciplinar.

Outro aspecto diz respeito aos tumores em áreas eloqüentes ou próximos a elas. Nos últimos anos, não é mais admissível a seqüela neurológica ser a regra, principalmente devido a criação de centros de excelência em nosso país, após cirurgia de tumores do SNC, mesmo aqueles tumores situados em áreas eloqüentes, tais como área da fala e área motora. O armamentarium neurocirúrgico moderno conta com estimulação cortical direta para mapeamento da área motora primária, estimulação subcortical, bem como cirurgia acordada com estimulação cortical para tumores localizados especificamente na área da fala. Eletrocorticografia é utilizada em casos selecionados para tumores ou lesões vasculares tais como cavernomas, que causem epilepsia de difícil controle.