ABNC

Volume 22 - N°3 - Julho/ Agosto / Setembro de 2011

Volume: 22

Número: 3

Período: Julho/Agosto/Setembro 2011

ISSN: 0103-5118

Editor: Ápio Cláudio MArtins Antunes - Porto Alegre/RS

Texto Completo do Fascículo.

Anatomia Microcirúrgica do Segmento Clinóide da Artéria Carótida Interna e do Cavo Carotídeo

Karina Ruiz de Moraes, Paulo Henrique Pires de Aguiar, Adriana Tahara, Toshinori Matsushige, Kuniki Eguchi, Maick Fernandes Neves, Murilo Joseph, Carlos Alexandre Zicarelli, Gustavo Rassier Isolan, Marcus Vinicius F B V F Serra

Embora a região clinóide seja comumente abordada pelos neurocirurgiões em várias afecções, sua anatomia e extremamente complexa e variável. O segmento clinóide da artéria carótida interna (ACI) se encontra na transição entre o seio cavernoso e o espaço subaracnóide, limitado pelos dois anéis durais. O segmento posteromedial do anel dural distal não tem contato com nenhuma estrutura óssea, esta peculiaridade anatômica facilita a formação do cavo carotídeo. Os anéis proximal e distal tornam-se relevantes por serem os limites anatômicos. O entendimento do segmento clinóide é importante para o correto diagnóstico e abordagem dos aneurismas desta região. Controle proximal, clinoidectomia anterior, opções de clips fenestrados e auxílio do endoscópio são detalhes técnicos de grande utilidade no manejo dos aneurismas do cavo carotídeo. 

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Meningeomas da Base do Crânio: Análise de uma Série de Casos - Aspectos Epidemiológicos, Clínicos e Cirúrgicos

Carlos Eduardo da Silva, Alicia Del Carmen Becerra Romero, Paulo Eduardo Peixoto de Freitas

 

Objetivos: Os meningeomas da base do crânio representam um grande desafio neurocirúrgico. No presente estudo, pretendese avaliar os resultados do tratamento cirúrgico dos meningeomas da base do crânio e revisar aspectos epidemiológicos, clínicos e cirúrgicos destes tumores.

Pacientes e métodos: Foram avaliados retrospectivamente 40 pacientes com meningeomas da base do crânio, das fossas anterior, média e posterior, submetidos à tratamento neurocirúrgico entre janeiro de 2004 e maio de 2011, pelo primeiro autor (CES). 

Resultados: A série foi composta pela seguinte distribuição tumoral: goteira olfatória 21,4%, tubérculo da sela 11,9%, clinóide anterior 4,7%, asa do esfenóide 14,2%, seio cavernoso 7,1%, fossa temporal 7,1%, petroclivais 23,8%, tentório 7,1%, forame magno 2,4%. O follow up médio foi de 42 meses. O grau de ressecção utilizando a escala de 

Simpson foi: Simpson 1- 54,7%, Simpson 2 - 21,4%, Simpson 3 - 9,5%, Simpson 4 - 14,2%. A morbidade observada foi: novos déficits de pares cranianos 14,2%, déficits transitórios de nervos cranianos 11,9%, fístula de líquor 11,9%, infecção: 9,5%, hidrocefalia: 2,4%, mortalidade 9,5%.

Conclusões:  O tratamento cirúrgico dos meningeomas da base do crânio é considerado de primeira escolha para a maioria destas lesões. O planejamento deve considerar a possibilidade de ressecção radical, incluindo o envolvimento ósseo, com o intuito de diminuir os índices de recidiva tumoral. Os resultados do tratamento cirúrgico apresentam elevados índices de ressecção completa e subtotal, com riscos aceitáveis de morbimortalidade.

 

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Revisão crítica de aspectos clínicos e estratégias terapêuticas em malformações artério-venosas cranianas durais . Experiencia de uma Instituição.

Marco Antonio Stefani, Apio Claudio Martins Antunes.

 

Os autores discutem as estratégias de tratamento para fístulas arteriovenosas durais, considerando as diversas configurações anatômicas, como a presença de refluxo venoso cortical (RVC) e os padrões de drenagem venosa. Casos ilustrativos são apresentados com as diferentes características angiográficas, enfocando nos padrões de anatomia arterial e venosa, drenagem venosa normal e a presença de refluxo venoso cortical. Uma revisão da fisiopatologia e atuais classificações é apresentada. As estratégias de tratamento são discutidas, com foco nas terapias endovasculares disponíveis.  As fístulas arteriovenosas durais deveriam ser tratadas levando-se em consideração os elevados riscos de hemorragia presentes quando existe RVC. As estratégias de tratamento devem objetivar a cura angiográfica e clínica, conseguida com baixo risco de complicações quando se utiliza um manejo multidisciplinar, após cuidadosa análise e entendimento da drenagem venosa cerebral, respeitando-se a anatomia da lesão e a drenagem venosa cerebral normal. 

 

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Fatores de risco em pacientes com aneurismas intracranianos atendidos em um hospital de referência de Belém - PA.

Luis Carlos Maia Cardozo Júnior, Bianca Paracampos Barros, Michel Frank da Cunha Holanda

 

Objetivo: Este estudo visa averiguar a influência de fatores de risco sobre a mortalidade no tratamento de aneurismas.

Método: estudo retrospectivo, transversal e quantitativo com pacientes atendidos entre Janeiro de 2001 a Dezembro de 2010 em virtude de aneurismas cerebrais no Hospital Ophir Loyola. Prontuários foram utilizados como fonte para coleta de dados sócio-demográficos, sobre fatores de risco e sobre o aneurisma. Foi realizada análise descritiva seguida pelo cálculo do risco relativo de cada variável em relação ao tipo de alta.

Resultados: Dentre 123 pacientes com 158 aneurismas, 72,36% eram mulheres, a idade média foi 46,5 ± 12,7, 38,21% eram hipertensos, 5,69% diabéticos, 21,95% tinha múltiplos aneurismas, 87,80% foram tratados de forma intervencionista, a taxa de letalidade foi de 12,20% e 90,24% dos aneurismas tinha sítio na circulação anterior. O risco relativo de morte foi de 5,14 para o tratamento conservador em relação ao intervencionista e 4,02 para os com 60 anos ou mais em relação aos que tinham menos de 60 anos. 

Conclusão: Considerando as características dos pacientes deste estudo sugere-se a necessidade de pesquisas que avaliem a eficácia da triagem em pacientes com risco, detectando os aneurismas antes de sua ruptura e modificando a história natural desta doença.

 

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Derivação Ventrículoperitoneal assistida por neuroendoscopia – experiência de 36 casos.

Flávio Ramalho Romero

Objetivo. Apresentamos nossa experiência em pacientes submetidos a derivação ventrículoperitoneal, assistida por neuroendoscopia. Métodos. Trinta e seis pacientes com diagnóstico de hidrocefalia comunicante foram selecionados para derivação ventriculoperitoneal assistida por neuroendoscopia. Tomografia Computadorizada (TC) pós operatória foi realizada no primeiro dia em todos os pacientes e a localização do cateter ventricular foi analizada. Os pacientes foram acompanhados por 12 meses e os resultados apresentados. Resultados.  Média de idade foi 57 ± 13.59 anos (range, 1677), com leve predomínio de homens (22 pacientes, 61%). A causa mais comum da hidrocefalia foi hemorragia (20 pacientes, 55%), incluindo hemorragia subaracnóidea (14 pacientes, 39%), hemorragia intracerebral ou hemorragia intraventricular (5 pacientes, 16%). Hidrocefalia pós traumática foi a segunda causa (11 pacientes 31.5%). Oito pacientes-válvulas necessitaram revisão, devido a obstrução em 5 pacientes, infecção em 2 pacientes e superdrenagem em 1 paciente. Nenhum caso de obstrução proximal foi relatado e em todos os casos o cateter proximal estava bem localizado. Conclusões. A visão endoscópica pode ser útil para um bom posicionamento do cateter no sistema ventricular.

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Proposta de Atendimento Fisioterapêutico em Paciente com Meningioma: A propósito de um caso

Jaqueline dos Santos Custódio, Rafaela Cequalini Paula Leite, Laura Ferreira de Rezende

Introdução: A incidência de tumores cerebrais vêm aumentando nas últimas décadas. Os meningiomas são tumores benignos, constituindo um dos principais grupos de neoplasias primárias do Sistema Nervoso Central. Podem ocorrer em qualquer idade, com predominância em adultos e pico de incidência por volta dos 45 anos, sendo o sexo feminino o mais afetado por este tipo de neoplasia. O quadro clínico depende do seu tamanho e localização. Objetivo: Propor atendimento Fisioterapêutico em paciente com Meningioma, tendo como seqüela déficit de equilíbrio. A paciente realizou fisioterapia, obtendo melhora no seu quadro clínico. Em uma nova avaliação, a paciente foi submetida a novos testes de equilíbrio, tendo uma resposta positiva do teste vestíbulo-ocular. Método: Os dados deste relato de caso foram obtidos com base em prontuários. Resultados: O protocolo de tratamento para a reabilitação do equilíbrio proposto baseia-se nos principais protocolos citados na literatura. A proposta é constituída de 7 atividades que visam o treino de equilíbrio em postura ortostática, sentada com diferentes bases de apoio, estabilização visual e utilização de estratégias sensoriais e motoras. Conclusão: O presente estudo foi importante para propor um atendimento integrado para a paciente, viabilizando e fundamentando um possível protocolo de tratamento direcionado às alterações específicas encontradas.

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Tobias Alécio Mattei, Carlos R. Goulart, Julia Schemes de Lima, Ricardo Ramina.

A maioria dos tumores de ângulo ponto-cerebelar em adultos são benignos e extra-axiais. A lesão mais comum do ângulo ponto-cerebelar (schwannoma vestibular) é familiar à maioria dos neurocirurgiões. Entretanto lesões císticas do ângulo ponto-cerebelar merecem uma análise cuidadosa, levando-se em consideração uma ampla gama de diagnósticos diferenciais, dentre os quais: cistos epidermóides, cistos aracnóides, neurinomas císticos, meningiomas císticos, bem como outras entidades mais raras como lesões vasculares e tumorais malignas. Os autores apresentam uma revisão critica da   literatura, proporcionando ao leitor uma visão geral sobre os possíveis diagnósticos diferenciais bem como atuais diretrizes para a avaliação imagenológica de lesões císticas no ângulo ponto-cerebelar.

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Hemorragia cerebelar remota como complicação de cirurgia de coluna vertebral. Relato de dois casos e revisão da literatura.

Pedro Radalle Biasi, Adroaldo Baseggio Mallmann, Paulo Sérgio Crusius, Cláudio Albano Seibert, Marcelo Ughini Crusius, Cassiano Ughini Crusius, Cassiano Mateus Forcelini, Naiana Posenato, Rafael Augusto Espanhol, Charles André Carazzo.

Introdução: A ocorrência de hemorragia cerebelar remota  durante cirurgias da coluna vertebral é um evento raro e pode passar despercebido na maioria dos casos. Uma taxa de mortalidade de até 15% tem sido relatada. Relato de caso: Apresentamos dois casos de pacientes que apresentaram hemorragia cerebelar após cirurgia de coluna lombar complicada com ruptura da dura-mater. Em ambos os casos, o diagnóstico foi feito durante a investigação de déficits neurológicos no pós-operatório inicial. No primeiro caso, houve ruptura dural devido ao rompimento do material de osteossíntese vertebral pré-existente. No segundo caso, foi verificada a existência de fístula dural após o procedimento, responsável pela perda de líquido cefalorraquidiano (LCR). Estudos de neuroimagem nos dois pacientes evidenciaram o clássico “sinal da zebra”. Ambos receberam apenas tratamento conservador, não-cirúrgico, com evolução satisfatória. Discussão: O mecanismo fisiopatológico da HCR ainda é desconhecido, mas supõe-se que ocorra devido à hipotensão intracraniana causada pelo vazamento de líquor, que desloca caudalmente o cerebelo, estirando e rompendo as veias vermianas. O tratamento expectante pode ser aplicado em casos de pequenos sangramentos, reservando a cirurgia para casos de hemorragias graves. O prognóstico é geralmente favorável, com pequenos déficits neurológicos transitórios.

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Schistosomose cerebral : Relato de caso e revisão da literatura

Antônio Santos de Araújo Júnior, Pedro Alberto Arlant, Arnaldo Salvestrini Júnior, Mirella Martins Fazzito, Evandro Sobroza de Mello, Albino Augusto Sorbello, João Batista Gomes Bezerra.

A esquistossomose é uma doença parasitária causada por platelmintos, transmitida de forma percutânea por nadar em águas contaminadas.O acometimento do sistema nervoso central (SNC) é uma apresentação rara da esquistossomose. Infestação cerebral pelo S. mansoni tem sido raramente relatada. A doença deve ser reconhecida precocemente, no intuito de se instituir o tratamento específico, o que previne definitivamente a deterioração neurológica.O diagnóstico demanda alto índice de suspeição, principalmente em pacientes advindos de áreas endêmicas, com lesões cerebrais ou medulares (próximas ao cone medular) associadas a eosinofilia e líquor de padrão inflamatório. O achado de ovos de Schistosoma nas fezes ou na biópsia do SNC é diagnóstico da doença. Nós relatamos o caso de um paciente de 35 anos, com infestação cerebral por S. mansoni como manifestação exclusiva da doença.

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Metástase de Mieloma Múltiplo em Parênquima Cerebral.

Allison de Freitas Francisco, Raul Fernando Pizzatto, Gustavo Henrique Smaniotto, Rodrigo Leite de Morais, Andrei Leite de Morais, Ricardo Nascimento Brito

O mieloma múltiplo em sistema nervoso central (SNC) é uma condição extremamente rara, sendo descrita em pouco mais de 100 casos na literatura. Neste artigo, os autores descrevem o caso de uma paciente do sexo feminino de 55 anos, submetida a transplante autólogo de medula óssea, e, mais tarde, à biopsia de tecido cerebral com confirmação  imunohistoquímica, revelando tecido cerebral infiltrado por grande quantidade de plasmócitos, compatível com a história clínica de mieloma múltiplo. A paciente foi então submetida a radioterapia adjuvante em SNC, permanecendo em acompanhamento ambulatorial com a oncologia clínica e utilizando pamidronato dissódico mensal. Mesmo sendo uma afecção incurável, a radioterapia mostrou-se importante para o controle local.

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